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O QUE SÃO DADOS PESSOAIS?

Dados pessoais são todos e quaisquer dados ou informações relativas a uma pessoa singular identificada ou que possa ser, direta ou indiretamente, identificável. Uma pessoa poderá ser identificável por referência a um identificador como um nome, um número, dados de localização ou elementos específicos da sua identidade física, fisiológica, genética, mental, económica, cultural ou social.

São exemplos de dados pessoais, o nome e o apelido de alguém, a sua morada, um endereço eletrónico tal como nome.apelido@empresa.pt, o nif, um número de matrícula, uma foto, um rosto, um número de identificação de cartão ou um cookie, um número de telefone, e, de uma maneira geral, qualquer dado que permita identificar ou localizar um indivíduo.

A proteção legal relativa aos dados pessoais visa proteger o direito de reserva da vida privada e o direito de autodeterminação, em suma: o direito a não ser importunado. Concretiza-se em princípios como o princípio da licitude, lealdade e transparência, em proibições e em pesadas sanções para os incumpridores. Na generalidade das situações, os dados pessoais apenas podem ser utilizados por terceiros se tal se mostrar necessário e adequado face a um determinado interesse legítimo ou desde que ocorra consentimento para essa utilização.

Para além de pessoais, são considerados sensíveis, e, consequentemente, sujeitos a um controlo ainda mais exigente, os dados que revelem informações sobre a saúde, a orientação sexual, o registo criminal, a origem racial ou étnica ou a orientação política ou religiosa de alguém.

Do ponto de vista de quem processa os dados, há que ter muitíssimo cuidado a avaliar o que é um interesse legítimo e se existe ou não consentimento válido. Nem todos os interesses são considerados legítimos e não é considerado válido qualquer consentimento. Por exemplo, não cumprirá a exigência legal um consentimento implícito, ambíguo, não demonstrável ou não auditável por referência a um dado fim. Isso poderá significar, em alguns casos, que seja necessário obter novamente consentimento, de maneira a torná-lo válido à luz do novo Regulamento Geral de Proteção de Dados.

Todos nós recebemos newsletters e correio com apresentações de produtos e serviços que não pedimos nem subscrevemos. Não é necessário o nosso consentimento expresso para recebermos essas apresentações se formos já clientes do emissor, uma vez que se considera existir interesse legítimo por parte dessa entidade, embora seja obrigatório salvaguardar sempre a possibilidade de ficar de fora (opt-out) da lista. Pelo contrário, se não formos clientes e se não existir um prévio consentimento expresso da nossa parte para esse fim específico (opt-in), não é legítimo o envio dessas comunicações para a nossa morada ou para o nosso correio pessoal.

O âmbito de aplicação das proibições e restrições inerentes ao tratamento de dados pessoais, limita-se aos dados de pessoas singulares. Não são por isso considerados dados pessoais os dados que digam respeito a uma pessoa coletiva como o seu número fiscal, o email tal como info@empresa.pt, o nome, firma ou eventual marca dessa pessoa coletiva. Estes dados podem ser tratados nos termos gerais e não têm as limitações de tratamento aplicáveis aos dados pessoais.

Referências: Considerandos 47 e 171, Artigos 3, 4, 6, 7, 9 e 21 do Regulamento Geral de Proteção de Dados / GDPR.

Comentários

MENSAGENS POPULARES

EM QUE SITUAÇÕES É CONSIDERADO LÍCITO O TRATAMENTO DE DADOS PESSOAIS?

Por tratamento de dados pessoais entende-se quaisquer operações efetuadas sobre os mesmos, tais como a recolha, o registo, a organização, a estruturação, a conservação, a adaptação ou alteração, a recuperação, a consulta, a utilização, a divulgação por transmissão, difusão ou qualquer outra forma de disponibilização, a comparação ou interconexão, a limitação, o apagamento ou a destruição.

O tratamento de dados pessoais carece sempre de um fundamento jurídico, de outro modo, é suscetível de ser considerado tratamento ilícito. Existem apenas seis fundamentos legais possíveis. O cabimento em qualquer um deles depende da finalidade específica da recolha dos dados.

O consentimento
A primeira fundamento legal para o tratamento de dados pessoais é o consentimento. O consentimento é bastante exigente. Consiste numa manifestação de vontade explícita, livre, específica, informada e inequívoca. O tratamento de dados é considerado lícito se o titular dos dados tiver dado o seu consentimento inform…

É OBRIGATÓRIO NOMEAR UM ENCARREGADO DE PROTEÇÃO DE DADOS?

Sim, para qualquer autoridade ou organismo do Estado é sempre obrigatório nomear um EDP/DPO (Encarregado de Proteção de Dados/Data Protection Officer). A única exceção são os tribunais.

Para entidades privadas, apenas é obrigatório para aquelas organizações que façam tratamento de dados pessoais que, devido à natureza, âmbito ou finalidade, exija um controlo regular e sistemático, ou quando há tratamento de dados sensíveis em grande escala (condenações penais e infrações).

No entanto, qualquer organização, querendo, pode voluntariamente nomear um.

É possível várias empresas partilharem o mesmo encarregado de proteção de dados? 
 Sim. O RGPD admite que associações ou outros organismos representativos de empresas possam designar um EPD comum. Também dentro do mesmo grupo empresarial, é possível designar um único EPD, desde que este esteja facilmente acessível a partir de cada estabelecimento.

Os EPD precisam de alguma certificação para desempenhar as suas funções? 
Não. O EPD deve ser des…